27 de dezembro de 2012

DESAPARECIDO PARA SEMPRE- HARLAN COBEN

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TRÊS DIAS ANTES DE MORRER, MINHA MÃE ME DISSE – ESTAS NÃO
FORAM BEM SUAS últimas palavras, mas foram quase - que meu irmão
ainda estava vivo. Isso foi tudo que declarou. Não entrou em detalhes.
Disse apenas uma vez. E não estava muito bem. A morfina já havia posto
em ação o jogo final de tolher o coração. Sua pele tinha aquela tonalidade
entre final de icterícia e bronzeado de verão, esmaecido. Seus olhos
estavam incrustados fundos na ossatura. Dormia a maior pare do temp.
Ela teria ainda, na verdade, mais um momento de lucidez - se é que foi
um momento lúcido, o que eu duvido muito - e me daria a oportunidade
de dizer que era uma mãe maravilhosa, que eu amava muito, e me
despedir.
Nunca dissemos uma palavra sobre meu irmão. Isso não quer dizer que
não estivéssemos pensando nele, como se ele também estivesse sentado
à beira da cama. - Ele está vivo. Essas foram exatamente suas palavras. E,
se fossem verdade, eu não sabia se isso significava coisa boa ou má.
Enterramos minha mãe quatro dias depois.
Quando voltamos para casa a fim de começar os tradicionais sete dias de
luto, meu pai irrompeu pela sala de visitas meio mal-arrumada. Estava
vermelho de raiva. Eu estava presente é claro. Minha irmã Melissa tinha
vindo de Seattle com o marido, Ralph. Tia Selma e tio Murray andavam de
um lado para outro. Sheila, minha outra metade, sentava ao meu lado, de
mãos dadas comigo. Só estávamos nós. Havia apenas um arranjo de
flores, uma magnífica coisa monstruosa. Sheila sorriu e apertou minha
mão quando viu o cartão. Nenhuma palavra, nenhum recado, apenas o
desenho. Meu pai continuava a olhar através das janelas - as mesmas
janelas nas quais haviam atirado com chumbinhos , por duas vezes, nos
últimos onze anos - e resmungou baixinho: - Filhos da mãe. - Voltou-se e
lembrou de alguém que não tinha aparecido. - Pelo amor de Deus, era de
esperar que os Bergmans fizessem, pelo menos, uma droga de visita. -
Fechou os olhos e dirigiu-se para o outro lado. A raiva o consumiria
novamente, misturando-se à dor e transformando-se em algo que eu não
tinha forças para encarar. Mais uma traição em uma década cheia delas.
Eu precisava de ar. Levantei-me. Sheila me olhou, preocupada.
- Vou dar uma volta. - Anunciei, suavemente.
- Quer companhia?
- Acho que não….

XZCA

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