27 de abril de 2013

DESTRUA-ME ## TAHEREH MAFI

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Atiraram em mim.
E por incrível que pareça, um ferimento a bala dói muito mais do que eu havia
imaginado.
Minha pele está fria e pegajosa, estou fazendo um esforço enorme para respirar. A
dor no meu braço direito é excruciante, e tenho dificuldade em me concentrar.
Tento fechar os olhos com força, ranger meus dentes, e me forço a prestar
atenção.
O caos é insuportável.
Várias pessoas estão gritando e muitas delas estão me tocando, e desejo que
alguém remova aquelas mãos do meu corpo. Elas não param de gritar —
Senhor! — como se ainda estivessem esperando por mim para lhes dar ordens,
como se não soubessem o que fazer sem minha ajuda. Perceber isso me deixa
exausto.
— Senhor, pode me escutar? — Outro grito. Mas desta vez, uma voz que não
detesto.
— Senhor, por favor, está me escutando...
— Levei um tiro, Delalieu. — É o que consigo balbuciar. Abro meus olhos.
Vejo seus olhos marejados. — Não estou surdo.
De repente todo o barulho desaparece. Os soldados se calam. Delalieu me olha.
Preocupado.
Dou um suspiro.
— Me leva de volta — digo a ele, me mexendo um pouco. Parece que o mundo
está rodando, mas de repente se estabiliza. — Alerte os médicos e peça que
preparem um leito para a nossa chegada. Enquanto isso suspenda meu braço, e
continue a pressionar diretamente no ferimento. A bala trincou ou quebrou
alguma coisa e vou precisar de cirurgia.
Delalieu não diz nada por um momento longo demais.
— É bom saber que está bem, senhor. — Sua voz parece nervosa, trêmula. — É
bom ver que o senhor está bem.
— Isso foi uma ordem, tenente.
— Claro — ele responde prontamente, com a cabeça curvada. — Certamente,
senhor. Como devo instruir os soldados?
— Encontre-a — digo a ele. Está ficando cada vez mais difícil falar. Respiro
com dificuldade e passo uma mão trêmula pela minha testa. Estou transpirando
copiosamente, e esse fato não me passa despercebido.
— Sim, senhor. — Ele tenta me levantar, mas eu seguro seu braço.
— Uma última coisa.
— Senhor?
— Kent — digo, minha voz parece desigual agora. — Faça com que eles o
deixem vivo para mim.
Delalieu ergue os olhos, arregalados.
— O soldado Adam Kent, senhor?
— Sim. — Olho dentro de seus olhos. — Eu mesmo quero lidar com ele.

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