CODINOME VERITY - ELIZABETH WEIN

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SOU UMA COVARDE
Queria ser uma heroína e fingi que era. Sempre enganei bem. Passei os
primeiros doze anos da minha vida jogando a Batalha de Stirling Bridge com
meus cinco irmãos mais velhos. Mesmo sendo garota, eles me deixavam ser
William Wallace, um de nossos supostos antepassados, porque eu fazia os mais
empolgantes discursos de batalha. Deus, como tentei na semana passada. Meu
Deus, eu tentei. Mas, agora, sei que sou covarde. Após o acordo ridículo que fiz
com o SS-Hauptsturmführer von Linden, sei que sou covarde. Então, lhes darei
tudo o que pedirem, tudo o que conseguir lembrar. Realmente, nos mínimos
detalhes.
O acordo ficou assim. Estou anotando para conservá-lo direitinho na
memória. — Vamos tentar isso. — disse o Hauptsturmführer. — Como posso te
subornar? — Respondi que queria ter minhas roupas de volta.
Agora parece insignificante. Tenho certeza de que ele esperava que minha
resposta fosse algo importante, como “liberdade” ou “vitória”, ou ainda algo
generoso, do tipo: “parem de brincar com o pobre rapaz da Resistência Francesa
e deem-lhe uma morte digna e misericordiosa”. Ou, ao menos, algo mais
diretamente ligado às minhas circunstâncias atuais, como, “por favor, deixe-me
dormir” ou “quero comida” ou “tirem esta maldita barra de ferro que
amarraram em minhas costas nos últimos três dias”. Mas eu estava preparada
para ficar insone, faminta e em pé por um bom tempo, se ao menos não tivesse
que fazê-lo só de roupa íntima, um pouco suja e molhada às vezes. TÃO
CONSTRANGEDOR. O calor e a dignidade de minha saia de flanela e da malha
de lã valem muito mais para mim agora do que patriotismo ou integridade.
Então, von Linden me vendeu minhas roupas de volta, peça por peça.
Exceto, é claro, a echarpe e as meias, levadas no início, para evitar que as usasse
para me estrangular (eu tentei)....

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