Nossa mãe também era
bruxa, mas ela sabia esconder
melhor do que eu.
Sinto saudade dela.
Nem um único dia se passa sem que
eu deseje sua orientação.
Principalmente em relação às minhas
irmãs.
Tess corre na minha frente, dirigindose
para o roseiral – nosso santuário, o
único lugar em que nos sentimos
seguras. As sapatilhas dela escorregam
nas pedras do calçamento, o capuz de
sua capa cinza cai e revela os cachos
louros. Olho para trás, na direção de
casa. Uma menina sair de casa sem capa
é contra as restrições dos Irmãos, e
correr não é um comportamento digno
de uma dama. Mas não podemos ser
vistas de casa por causa das cercas vivas
altas. Tess está à salvo.
Por enquanto.
Ela espera adiante, chutando as folhas
mortas embaixo de um bordo.
– Detesto o outono – reclama ela, e
morde o lábio com dentes perolados. –
Parece tão triste.
– Eu gosto – replico.
Há algo de revigorante no ar fresco de
setembro, no céu azul seco, na mistura
de cor de laranja, vermelho-escarlate e
dourado. A Fraternidade
provavelmente iria proibir o outono se
pudesse. É lindo demais. Sensual
demais.
Tess aponta para a trepadeira que sobe
pela treliça. As pétalas das ores estão
marrons e se desfazem, o caule se
inclina na direção do chão.
– Veja, está morrendo – diz ela,
tristonha.
Percebo sua intenção um segundo
antes de ela agir.
– Tess! – solto um berro estridente.
É tarde demais. Ela aperta os olhos
cinzentos e, no momento seguinte, é
verão.
Tess está avançada nos feitiços para
uma menina de 12 anos; é muito mais
avançada do que eu quando tinha sua
idade. As ores mortas se revigoram:
inteiras, brancas e exuberantes.
Folhinhas verdes brotam nos carvalhos.
Peônias e lírios magnícos se agitam em
direção ao céu, gloricando-se em sua
ressurreição....
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18 de fevereiro de 2014
AS CRÔNICAS DAS IRMÃS BRUXAS 1- ENFEITIÇADAS - JESSICA SPOTSWOOD
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