A HORA MAIS SOMBRIA
Verão. Estação de dias longos e lentos e noites curtas e quentes.
Lá no Brooklyn, onde passei meus primeiro quinze, os verões – quando não
significavam colônia de férias – significavam ficar na entrada do prédio com minha
melhor amiga, Gina, e os irmãos dela, esperando o caminhã o de sorvete passar. Quando
não estava quente demais, brincávamos de um jogo chamado Guerra, fazendo times
com a garotada do bairro e atirando uns nos outros com armas imaginárias.
Quando ficamos mais velhas, claro, paramos de brincar de Guerra. Além disso, Gina e
eu começamos a dispensar o sorvete.
Não que isso importasse. Nenhum dos caras da vizinhança, aqueles com quem
costumávamos brincar, queria nada conosco.Bem, pelo menos comigo…
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