Morri naquela sala.
Morri ali, entre os cadáveres, na escuridão das entranhas do mundo. Morri com o
fogo do incinerador ainda queimando minha pele, como se o próprio demônio tivesse
colocado as mãos em mim. Morri com a risada aterrorizante do diretor soando em
meus ouvidos.
Mas não foi uma morte misericordiosa. Meu coração não parou de bater. Meus
pulmões não pararam de arder com o ar quente. A dor incandescente não deixou meus
músculos, pele, ossos. Não caí no esquecimento, como sempre achei que cairia
quando a morte chegasse. Não, eu estava na Penitenciária de Furnace. E, ali, nem
mesmo a morte ousava mostrar sua face. O Anjo da Morte me abandonou, como todos
os demais, deixando-me a sós com meus pesadelos....
28 de janeiro de 2014
FUGA DE FURNACE 3- SENTENÇA DE MORTE- ALEXANDER GORDON SMITH
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