Morri naquela sala.
Morri ali, entre os cadáveres, na escuridão das entranhas do mundo. Morri com o
fogo do incinerador ainda queimando minha pele, como se o próprio demônio tivesse
colocado as mãos em mim. Morri com a risada aterrorizante do diretor soando em
meus ouvidos.
Mas não foi uma morte misericordiosa. Meu coração não parou de bater. Meus
pulmões não pararam de arder com o ar quente. A dor incandescente não deixou meus
músculos, pele, ossos. Não caí no esquecimento, como sempre achei que cairia
quando a morte chegasse. Não, eu estava na Penitenciária de Furnace. E, ali, nem
mesmo a morte ousava mostrar sua face. O Anjo da Morte me abandonou, como todos
os demais, deixando-me a sós com meus pesadelos....
28 de janeiro de 2014
FUGA DE FURNACE 3- SENTENÇA DE MORTE- ALEXANDER GORDON SMITH
4 de março de 2013
FUGA DE FURNACE 1 E 2 #ALEXANDER GORDON SMITH
ENCARCERADOS
Foi ali, segurando as grades da cela como se fossem meus únicos amigos, que eu ouvi pela primeira vez a sinfonia de Furnace. Começou com soluços, que se elevaram da escuridão e me envolveram como o som de cordas suaves em uma orquestra. Eram lamentos tranquilos sufocados pelos inúmeros músicos que os produziam, fundindo-se, de todos os níveis, para criar uma fonte de som que corria para o pátio deserto lá embaixo.
Pág. 88
De um dia para outro, Alex Sawyer passou de valentão a delinquente juvenil. Os trocados arrancados dos garotos na escola já não eram suficientes, e, com a ajuda de seu melhor amigo, Toby, começou a cometer pequenos furtos na vizinhança. Até que uma noite, homens fortes, de terno preto, e um esquisitão usando uma máscara de gás cruzaram o caminho dos dois. Toby foi cruelmente assassinado e Alex, preso e acusado pela morte do amigo. Seu novo lar? A Penitenciária de Furnace, um buraco – literalmente – para onde todos os garotos condenados são enviados, e de onde só é possível sair morto. Com guardas sádicos e criaturas terríveis responsáveis pela segurança, Furnace é o inferno. O lugar é infestado de criminosos – como as perigosas gangues Caveiras e os Cinquenta e Nove –, mas também há muitos garotos que, como Alex, foram presos por crimes que não cometeram. Como escapar e provar sua inocência? Em quem confiar? O que na verdade era Furnace: um reformatório? Um depósito? Ou, pior, um laboratório maligno?
SOLITARIA
Morreríamos ali, da maneira mais lenta e angustiante possível. Isso não poderia acontecer; o mundo lá fora precisava saber… Só que eu nem sequer fazia ideia de que o mundo lá fora continuava a existir. Para ser honesto, já não tinha certeza se algum dia existira. Havia apenas Furnace. Ela era nosso mundo, nosso túmulo, nosso inferno.
Pág. 56
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